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Ilhéus está fora do projeto "Minha Casa Minha Vida"

Ilhéus está fora do projeto "Minha Casa Minha Vida" deixando mais de 15 mil pessoas de fora do programa Federal, que prevê a construção de 32.292 casas populares no estado da Bahia. 
      De acordo com o relatório enviado à Federação das Associações de Moradores de Ilhéus (Fami) pelo Conselho Estadual das Cidades, apenas nove municípios do Sul do estado conseguiram aprovação para a construção das casas populares.
      Segundo o presidente da Fami, Marcos Lessa, Ilhéus perdeu a oportunidade de fazer parte do programa federal porque não conseguiu enviar, em tempo hábil, o projeto arquitetônico, assim como indicar os locais onde as casas seriam construídas.
      O governo municipal se antecipou no cadastramento das famílias, mas não fez o dever de casa, demorou em entregar projeto arquitetônico, requisito básico para garantir a construção das casas.
      Lessa afirma que não faltou aviso para os responsáveis pelo processo. “Todos sabiam que a contemplação era por ordem de chegada. A prefeitura não precisaria gastar nada para fazer o projeto, já que tem funcionários que recebem para realizar este trabalho”.
      O presidente da Fami informa que a última reunião do ano sobre o andamento do Minha Casa Minha Vida, aconteceu no dia 14 de dezembro, em Salvador, quando o governador Jaques Wagner fechou os contratos de construção das casas.
      No sul, extremo e sudoeste da Bahia nove cidades foram contempladas, sendo Eunapólis com 1.500, Porto Seguro com 1.452, Itabuna com 1.636, Jequié com 1.039 e Vitória da Conquista com 1.676.
      Além delas, Guanambi com 500; Itapetinga com 500; Teixeira de Freitas com 500; Itamarajú com 494. “Os prefeitos destas cidades se adiantaram, entregaram o material necessário e conseguiram presentear seus munícipes com este presente do governo federal”.
      Irresponsável
      Lessa considera uma vergonha e falta de compromisso do governo municipal perder esta oportunidade, considerando que Ilhéus é a segunda cidade em déficit habitacional. Com uma população de 220.144 habitantes, a cidade tem uma carência de 14.082 moradias.
      Perde apenas para Feira de Santana, que tem 571.996 habitantes e um déficit de moradia de 17.734. “Se considerarmos a população de Ilhéus e o déficit de moradia e comparar com o de Feira de Santana, proporcionalmente Ilhéus tem mais carência”.
      Lessa lembra que a cidade não precisaria investir nada para o projeto, apenas cadastrar as famílias e disponibilizar a área. “Até as prefeituras inadimplentes podem ser contempladas. O mínimo que o governo deveria fazer, não fez, e a população perdeu essa oportunidade”.
      Não há indicativo de que as cidades que perderam a oportunidades venham a ser contempladas. O governador Wagner vai lutar junto ao governo federal para conseguir mais 12 mil casas, mas esse número seria para suprir as necessidades da capital baiana.
      Para Lessa, essa perda é de responsabilidade do governo municipal. “Teve prefeito que, mesmo tendo um déficit pequeno de moradias, deu um passo à frente e conseguiu resultados”.
      Um exemplo é Serrinha, que tem uma população de 71.367 e déficit de 2.500 casas. Ele conseguiu a liberação de 900 casas. “Jequié é outro exemplo, com uma população de 145.897 habitantes e um déficit de moradia de 5.346, conseguiu a liberação de 1.039 casas”.
      Quando o assunto é Ilhéus, Marcos Lessa afirma que Newton Lima e, em especial, a Secretaria de Planejamento e Obras, responsável pelo projeto arquitetônico, tem penalizado a população. “Este foi o presente de Natal que as mais de 15 mil famílias ganharam”.
      Ele lembra que no final deste ano dezenas de famílias ficaram desabrigadas por causa da chuva que derrubou várias casas, a cidade tem outras em situação de risco e muita gente não tem nem onde morar.
      “E o governo ainda se dá ao luxo de perder essa grande oportunidade, quando não iria gastar nada, tudo seria feito com recursos federais”.

fonte: Jornal A Região

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